flores pintadas de amarelo manga e um nascer do sol fugaz. não pude ver nem miúdos pássaros com café. rápido demais.
acordei em meio à lentidão dos teus pés, implorando afago/afeto/umidade e pedindo às nuvens que nossa unicidade permaneça. que permaneças entre meus pés.
dois sopros de momento e logo luzes coloridas por cima de nós dois. tipo um tango pirando em LSD e travesseiros dançantes felizes e alaranjados.
mas na verdade, na verdade, nossas mãos corriam o céu num light paint e escreviamos juntos:
ah! essa volúpia.
lacrimeja, escorrega e dói… como um retrato pingado.
“você é a lição de casa. por todos os lados nenhum aluno”. (kafka)
“e o tempo, minuto após minuto, me refuta,
como a neve intensa um corpo imerso no torpor;
eu contemplo já de cima o globo em seu vapor
e não procuro mais o abrigo de uma gruta.
avalancha, queres me arrastar contigo, sua puta?”
baudelaire
“prosseguimos conquistando tudo
mas enquanto isso
o tempo padrão real segue em frente
e novos bebês engarrafados com dentes reais
devoram nosso fantástico
futuro fictício”.
(ferlinghetti)
três poemas e meio para uma garrafa inteira
duas doses cinzas
.
medo inoportuno